Aconteceu na tarde de hoje, terça-feira, aqui na PdD, a oficina de Bordado Livre, sob coordenação de Lísia Maria, da Bordadologia.

Lísia é apaixonada pela arte e o seu trabalho com bordados é encantador, tanto pelas peças que faz quanto pela disposição em transmitir o conhecimento e levar a linha e a agulha para vida de mais pessoas. Antes da oficina, conversamos um pouquinho com ela para conhecer mais sobre a sua história e relação com a prática, além claro, de pegar algumas dicas para quem deseja aprender a bordar. Confira a seguir:

Como aconteceu seu primeiro contato com o bordado?

Sou formada em Artes Visuais e Moda pela UFMG e, nestes dois cursos, tive algumas disciplinas ligadas a trabalho de agulha – foi meu contato inicial. No início de 2014 vi uma foto de um bordado feito pela escritora Fernanda Young, publicado por ela mesma em seu Instagram – um desenho simples, feito com pontos quase rudimentares – mas aquela imagem acendeu uma luzinha na minha cabeça: “quero fazer isso também!”. Saí, comprei alguns materiais, comprei um livro de pontos básicos e comecei a bordar.

Minha formação profissional já tinha me apresentado ao universo da criação (assim como ao seu estudo formal, técnico e simbólico), mas eu nunca havia me apaixonado por uma linguagem específica – começar a bordar concluiu a busca que eu ainda fazia pela artista/designer escondida em mim.

Do estudo por livros, sozinha em casa, parti para uma formação que pudesse me dar acesso à cultura do bordado – na minha família a tradição é a costura, ninguém mais borda. Tive a sorte de encontrar Dona Terezinha Damásio, uma senhora com 70 anos de carreira como bordadeira e, através dela, pude entender a presença do bordado na trajetória feminina – essa parte é importantíssima.

Em seguida, procurei fazer contato com cada vez mais bordadeiras, mais velhas ou mais novas, o que amplia nosso conhecimento técnico e também nos dá acesso às histórias em torno do bordado – cada história de cada bordadeira é tão importante quanto cada peça bordada.

O que o bordado significa para você?

Uma atividade ao mesmo tempo profissional e sentimental. Tenho trabalhos ligados ao bordado (parceria com marcas, encomendas, aulas de bordado), mas também preciso bordar para estar feliz. Tenho um mural com ideias anotadas e um caderno cheio de desenhos e, executar esses projetos é uma atividade essencial da minha vida. Quando não tenho tempo de bordar, passo o dia sonhando com esse momento: às vezes chego em casa tarde, daí bordo cinco minutos antes de cochilar no sofá, e esses cinco minutos valem meu dia…

“Além do bordado ser a minha voz, ele é a voz de muitas mulheres, e ultimamente tenho pensado muito nisso: quando bordo estou conectada com todas elas, sem barreiras no espaço/tempo”.

Como você se sente enquanto borda?

No blog da Bordadologia tem um texto que resume muito bem esse sentimento, História Sentimental do Bordado.

Quais dicas você dá para quem quer aprender a bordar?

Entre muitas possíveis, escolho duas que acho que realmente fazem diferença:

1 – aproxime-se de outras bordadeiras, especialmente as mais velhas; você vai aprender pontos e artimanhas, mas também vai entender a história de cada uma com o bordado. Entender a história delas sempre vai acrescentar algo à sua própria história

2 – use o aplicativo Instagram para pesquisar sobre bordado. Milhares de bordadeiras postam diariamente seus trabalhos, materiais, inspirações, e essa informação permanece disponível para quem quiser pesquisar. Invista algumas horas por semana nesse mergulho e veja como seu trabalho vai crescer.

Impossível não se encantar com tamanha paixão certo? Para quem quiser conferir um pouco mais sobre o trabalho da Lísia e da Bordadologia, vale muito a pena seguir o perfil no Instagram @bordadologia.

“Bordar é ornamentar a própria vida com desenhos feitos com agulha”.