Exercer a arte de ensinar é um ofício nobre, provavelmente o mais nobre de todos! Professores são parte fundamental de nossa história, crescimento, amadurecimento e formação de caráter, por isso merecem todas as homenagens que estiverem ao nosso alcance. Hoje, gostaríamos de pedir licença aos nossos amigos e clientes para demonstrar a gratidão que sentimos por todos os mestres que passarem pelas nossas vidas, publicando o depoimento da professora Andréa Cristina Maggi, uma docente que reflete a paixão pelo ofício em cada uma de suas palavras.

A homenagem é extensiva a todos àqueles indivíduos cuja vocação é despertar a vocação dos outros!

Ser professor é… Por Andréa Maggi

Vamos lá, senta que lá vem a história!!!

Sou Andréa Cristina Maggi, sem a fama que o sobrenome sugere!!! Já completei quarenta e três verões, já que nasci em fevereiro.

Minha formação, ainda que tardia, vai da razão à emoção. Ingressei na Universidade aos 29 anos, por não ter tido anteriormente oportunidade de fazê-la, por ter começado a trabalhar aos 17 anos para ajudar em casa. Até cheguei a prestar vestibular na UFMG, mas como não tinha condições de pagar pré-vestibular, trabalhava e estudava sozinha e tive que esperar o momento que pudesse pagar uma universidade privada.

Dizem os mais chegados que sou meio maluca, pois gosto tanto de Matemática quanto de Português. Tenho formação Técnica em Exatas (Processamento de Dados), pela Polimig, e Superior em Humanas (Letras – Licenciatura com Habilitação em Português e Inglês), pelo Uni-BH. Sou especialista em Revisão de Textos, pela PUC-Minas; em Práticas Pedagógicas, pela UFOP; e em Planejamento e Gestão de EaD, pela UFF. Iniciei em 2017 a graduação em Pedagogia, na UEMG, e disciplina isolada do Mestrado em Educação Tecnológica, no CEFET-MG. Tudo isso porque uma das minhas paixões, além dos esportes, é estudar. Gosto de estar em contato com o novo, de fazer descobertas em busca de melhores métodos para aplicar no meu trabalho e na minha vida.

Na docência atuo desde 2010, depois de 18 anos trabalhando em empresa de Informática, onde atuei, dentre outras funções, como Gestora de Qualidade, tendo implementado na empresa os certificados ISO 9001 (Qualidade) e 14001 (Ambiental). Quando trabalhava nesta empresa, cursei a Graduação e a Pós em Revisão. Lá eu elaborava documentação e realizava treinamentos baseados no processo de Certificação e manutenção dos Sistemas ISO 9001 e 14001. Apesar da minha formação, eu almejava outras possibilidades de atuação que visassem uma forma de ensino, porém, não necessariamente a escola. Ainda que quando criança eu adorasse brincar de dar aulas até para as paredes, simulava que estava corrigindo provas, carimbava papéis como se estivesse dando vistos, mesmo formada eu resisti ao ofício por quatro anos.

Em meados de 2010, visitei, na companhia de uma colega, a escola na qual ela lecionava, na periferia de Contagem. Ao chegar lá, deparei-me com crianças que mal tinham o que calçar, muitos não sabiam nem ler, nem escrever, apesar de já estarem nos dois anos finais do Ensino Fundamental I, nosso antigo Grupo. Como essa colega atuava na parte de intervenção pedagógica, sentei ao lado das crianças no chão e fomos aprender com a brincadeira de dominó de sílabas e tentar ler algumas palavras. Voltei para casa com a certeza de que eu tinha capacidade para atuar como professora de Leitura e Produção de Textos. Senti que eu poderia me envolver no processo e criar estratégias para que as crianças e os adolescentes pudessem olhar o texto com olhos mais desejosos. É isso que venho tentando desde então em minhas aulas. Mostrar para os alunos que eles são capazes de serem autores da própria vida e que podem usar o texto para serem cidadãos ativos. Talvez tenha sido nesse momento que emergiu essa vontade de ser professora. Já me sentia mais madura, meu filho já estava com 10 anos de idade e em minha bagagem já tinha muita informação para compartilhar e não deixar morrer o conhecimento que fui adquirindo naqueles, até então 36 anos de vida.

Nessa mesma época, fui desligada da tal empresa que trabalhava e procurei por vagas de professora substituta em uma Escola Estadual. Ironicamente, consegui carga horária completa, 24 aulas, como professora de Inglês. Nessa escola, uma colega de trabalho me indicou uma instituição particular e fechei meu 2010 como professora de inglês nas duas redes.

De lá para cá, gradativamente meu caminho foi sendo encaminhado para meu papel docente de hoje, professora de Leitura e Produção de Textos e de Literatura Infantil, minhas paixões. Ler, escrever, imaginar, instigar a criatividade dos alunos, ensiná-los a argumentar.

Professores Influentes

Não sei lhe dizer ao certo se houve alguma professora que me marcou positivamente para despertar em mim o desejo de exercer o ofício, mas recordo-me com carinho de alguns profissionais que hoje fazem diferença na minha vida e na minha atuação docente. Minha professora do Pré-Primário (hoje 2o período da Educação Infantil), Profa. Marisa, quem me ensinou a ler e a escrever aos 5 anos. Tenho boas recordações da minha professora de Matemática do 1o e 2o graus (Ensino Fundamental II e Médio), do Colégio São José, em Pouso Alegre (lugar onde morei de 1986 a 1991), Profa. Vanilda. Ela era muito rígida, mas dominava a Matemática e ensinava como tirar a prova de todas as soluções de atividades. Eu amava a disciplina dela e a forma como ela ensinava com segurança. Talvez, estejam aí as explicações por eu gostar das duas disciplinas. Leitura e cálculo ensinados por profissionais que me encantaram.

Já na Graduação, acredito que a escolha pela Produção de Textos tenha sido em razão de um elogio que recebi, no 1o período da Letras, da professora Delaine Cafieiro, hoje docente na UFMG. Ela pediu para escrevermos um texto sobre a experiência com a Língua Portuguesa. Eu, na minha humilde escrita, disse que não sabia escrever bem e ouvi “Imagina se soubesse”. Naquele momento ganhei confiança e passei a escrever, inclusive, alguns poemas para expressar minhas angústias e algumas alegrias. Outro professor que me marcou muito foi o Luiz Morando, de Literatura. Muito sábio e exigente, com ele aprendi a fazer pesquisas e a fundamentar meus pensamentos. Hoje tenho o prazer de compartilhar minhas experiências docentes com ele via Facebook e com outros professores que também me ajudaram e ainda me ajudam muito, quando preciso, como Mário Alex e Hércules Toledo. À moderníssima e tecnológica professora Carla Coscarelli, em quem me inspiro para usar os recursos tecnológicos e em quem baseei para fundamentar parte do meu pré-projeto de mestrado. A professora Solange Campos, de Literatura Infantil, na Graduação, ensinou que era possível recriar histórias e hoje faço isso com meus alunos e eles adoram. Imaginamos o vilão como protagonista, recontamos histórias de outras perspectivas… é muito legal poder criar e recriar, e isso aprendi com ela. E a todos os outros professores que apesar de não enumerados aqui têm sua parcela de contribuição na minha vida docente, o meu eterno obrigada pelos ensinamentos.

A paixão pela docência

Eu adoro dar aulas, pois mais do que ajudar os alunos, eles me ajudam muito. Aprendo muito com eles, rimos e choramos juntos. Descobrimos novas histórias. Pela escrita eu os conheço e já até ajudei alguns emocionalmente no resgate de sentimentos familiares. Em 2013 fui paraninfa de uma turma da 3a série do Ensino Médio e ainda hoje tenho contato com esses alunos, temos um grupo de whatsapp e pelo menos uma vez por ano nos encontramos. Para mim, cada turma é única, cada idade tem sua qualidade e sua chatice (porque nem tudo são flores), mas por tudo isso há aprendizado meu e deles (pelo menos espero que haja).

Quando entrei numa sala pela primeira vez, o coração gelou. Uma das minhas dificuldades até então era falar em público, para muitas pessoas e eu tinha 11 turmas com média de 30 alunos cada. Eram 30 contra uma. Trinta me avaliando. Pairava o medo de surgiu uma pergunta que eu não soubesse responder, de não conseguir manter a disciplina em sala. Vesti de coragem e encarei o ofício inspirada nos professores que me marcaram positivamente. Até hoje, cada começo de ano é um frio na barriga, como se fosse a primeira vez. São alunos diferentes, em momento sociocultural diferente. “Tudo que se vê não é de novo do jeito que já foi um dia, tudo muda o tempo todo, no mundo”, já dizia Lulu Santos. Cada turma é única, cada aluno, um novo desafio. Por isso, toda aula é um novo recomeço, e a cada final de aula preciso sempre repensar o que foi bom e o que preciso mudar e melhorar.

O papel do professor na vida das pessoas

O que eu penso sobre o papel do professor na vida das pessoas? Primeiramente, eu sei a professora que não quero ser, aquela que chega, passa o exercício no quadro e dá a tarefa para cumprir tabela. Eu tento planejar minhas aulas de forma que o aluno se sinta instigado a comprar minha ideia de investigar sobre o assunto que proponho. Procuro, sempre que possível, dar situações-problema para que o aluno resolva, faça pesquisas e traga para a aula para discutir. Sou também a favor do uso da tecnologia em sala de aula e sugiro que utilizem dicionário no celular, tiro dúvida de alunos via Whatsapp quando há trabalhos que não conseguimos concluir em sala. Já fiz blog para compartilharmos atividades, peço que enviem textos via e-mail para facilitar a correção e a devolução. Tento estar atualizada e usar recursos diferenciados em minhas aulas. Penso no professor como um mediador do conhecimento, aquela pessoa que tem a função de despertar no aluno a busca pelo conhecimento, aquele profissional que aponta o caminho que o estudante deve seguir sem, contudo, apresentar respostas, mas levando-o a resolver desafios, a sair da caixa, a sair da zona de conforto. Esse é o docente do século XXI, sob a minha perspectiva também de estudante que ainda sou.

Objetivos como professora

Na Educação, almejo lecionar Metodologia do Trabalho Científico e Produção de Textos no Ensino Superior, na formação de Professores e nos cursos de Exatas. Estes últimos porque há um preconceito de que quem é das Exatas escreve mal. Acredito que posso contribuir para mudar essa realidade. Para isso, retornei neste 2017 para a sala de aula como estudante. Pretendo desenvolver métodos e modelos de ensino de Produção de Textos de maneira mais criativa e lúdica também no Ensino Superior.

Em função dos meus estudos, hoje trabalho uma manhã e três tardes com Ensino Fundamental I e II, na Escola Madre Paula, da Congregação Escolápias, e no Colégio Jean Piaget.

Emoções e histórias marcantes

Uma das situações mais emocionantes na minha curta carreira docente foi quando me convidaram para paraninfa da formatura em 2013. Outro momento marcante foi a despedida do 9o ano, do ano passado, eles escreveram uma cartinha linda para mim e fizemos um lanche coletivo, quando na ocasião eu escrevi um texto falando de cada um dos alunos presentes, pois os acompanhara desde o 4o ano. Fui muito emocionante. Chorei muito.

Recentemente, na semana passada, na turma do 3o ano, estávamos criando uma narrativa coletiva a partir de um livro imagético, “Pela porta do coração”, de Regina Rennó. Ele faz uma metáfora com a relação entre as pessoas e como conquistamos alguém com nosso carinho e nossas gentilezas. Quando o protagonista consegue ‘entrar’ no coração os alunos ficaram admirados com a imagem que parecia um coração de verdade. Abri nesse momento a reflexão sobre ‘entrar’ no coração de alguém no sentido de se permitir conquistar e conquistar quem se permite, para sermos bons amigos. Nesse momento, um aluno olha para mim com os olhos cheios d’água e disse que ia chorar. Eu não aguentei e comecei a chorar junto com ele. Eu ria e chorava e a aula acabou nesse momento que também foi quando soou o sinal. Continuaremos a história na próxima semana, depois do recesso de 12 de outubro, e sei que ainda vamos chorar mais juntos porque o protagonista vai tentar voltar ao coração e ele estará fechado, gerando tristeza. A ideia é trabalhar o sentimento de perda e como podemos resolver isso. Vamos ver como será o desfecho. Essa turminha é muito bacana. Sempre nos divertimos com as possibilidades de imaginação das histórias que trabalhamos. Levei para eles, mês passado um lápis com uma estrela na ponta, para simbolizar a conclusão do livro da Fada que tinha ideias. Brincamos de mágica por uns minutos antes de iniciar as novas leituras.

Recordei-me também de outro dia bacana, em uma aula no 4o ano, em 2012, estávamos lendo um livro sobre Mistério, “O mistério dos Diamantes”, que investigava o sumiço de diamantes. No dia estava ameaçando de chover e ventava muito. Estávamos no 5o e último horário do dia. Coincidentemente, quando eu li enfaticamente uma parte que levantava suspense, fazendo caras e bocas, o vento bateu repentinamente a porta. Os alunos gritaram de susto e tivemos que encurtar a leitura e começamos a conversar e rir do acontecido.

Se eu ficar aqui ativando minha memória vou lembrar de mais coisas, de cartinhas que recebi em momentos que eu, no auge do stress, pensava em desistir do ofício. Parece que os pequenos (EFI) sentem nossa carência e sempre têm uma palavra de carinho quando mais precisamos.

Bom, acho que já passei dos limites com meu “teXtamento”!!! Estou muito feliz pela homenagem, por poder representar meus colegas de trabalho através do meu depoimento e da minha experiência. Desejo a todos nós, mediadores do conhecimento, muita saúde, energia e paz no coração. A nós, os parabéns por formar todos os outros profissionais!!! Agradeço à PdD pelo carinho e reconhecimento!!!