O mês de junho chegou, e junto dele, uma deliciosa novidade para a PdD. A nova vitrine da loja, que marca o mês do amor, foi pintada por Lucas Carvalho, designer brasileiro residente em Nova York, cuja história caminha lado a lado com a PdD.

Lucas foi, durante muito tempo, uma das cabeças criativas da Vorko Design, uma das principais parceiras da loja, desde sua origem. Conversamos com o designer sobre a sua trajetória, relação com a PdD, mudança para Nova York, referências criativas e claro, suas inspirações para a nova vitrine Patrícia de Deus. Confira:

Sobre a Vorko

A Vorko começou como um recurso de dar vazão aos anseios criativos pessoais de cada um. Nós, os três sócios, trabalhávamos em empregos que não davam nenhuma oportunidade de autonomia nos projetos. Começou na antiga casa do Daniel, uma república na época, todo mundo amontoado pedindo pizza. De alguma forma, demos a sorte de sermos três pessoas que se complementavam demais, e a coisa evoluiu.

No começo, o principal cliente era a própria Vorko. Fazíamos projetos pra divulgar o nosso trabalho. Ao longo do tempo, tivemos clientes de todos os tipos, e conhecemos muita gente legal.

Sobre a relação com a PdD

A PdD foi, definitivamente um dos projetos que definiram a Vorko, tanto pelo lado criativo, como operacional/projetual. Foi o nosso primeiro cliente fixo, e estávamos presentes desde a gênese da ideia. Do nome, à marca, ao projeto do espaço. O teto com as placas pintadas à mão são um retrato perfeito do espírito da época: a vontade de realizar as ideais com as próprias mãos, algumas vezes deixando o acaso atuar.

Com a loja, pudemos trabalhar com outros artistas locais talentosos, e a troca sempre foi muito rica. Foi um cliente que ofereceu a liberdade total que a gente procurava e raramente achava.

Sobre a ida para Nova York

Lá pra o ano de 2015, a Vorko chegou num ponto em que o conceito inicial parou de fazer sentido. Apesar de sermos muito próximos como pessoas, nossos objetivos não coincidiam mais, e isso foi um dos motivadores pra fazer uma mudança na vida. Eu já tinha visitado Nova York duas vezes antes de mudar, e cheguei até a contactar algumas empresas pra entender o mercado. Sempre quis morar aqui, pela experiência mesmo. Com o fim da parceria com os meninos e a vida profissional meio caótica, me pareceu o momento certo.

Sobre a chegada e a inserção no mercado americano

Quando cheguei, sofri aquele impacto inicial cultural em geral. Mas no primeiro ano não consegui muito trabalho, aí acabei ficando em casa, pintando e desenhando bastante, o que foi interessante. Vendi algumas coisas por $20. Cheguei a enviar algumas por correio pra amigos fora dos EUA.

Estou aqui há três anos e meio, e até ser contratado por uma empresa, há mais ou menos um ano atrás, fiz um pouco de design, ilustração, retoque de foto. Atualmente eu trabalho num estúdio de pós produção em fotografia e vídeo.

Meu dia a dia é basicamente photoshop/retoque e de vez em quando tenho a oportunidade de ilustrar algo digitalmente que vai pros anúncios. Os clientes são em maioria publicidade de produto.

Sobre o cenário artístico de Nova York e as influências

O cenário artístico aqui é bem legal, mas não sei exatamente se isso influencia o meu trabalho atual. Desenho e pintura tem sido uma atividade 100% paralela pra mim. Acho que existe uma estética local que me influencia quase sem perceber. Os amigos que fiz, são todos de alguma forma relacionados à arte também, fotógrafos, filme, cenografia e etc. Isso acaba se tornando uma grande influência.

Um cara que gostaria de citar como uma grande referência e que vejo coisa para todo lado por aqui é o Shepard Fairey. Tem também um coletivo muito legal, o FAILE studio, entre outros legais que gosto:  Yuko Shimizu, David McLeod, Guno Park, Broken Fingaz, Paul Thurlby.

Sobre as inspirações para a nova vitrine PdD

O tema da pintura foi “Dama da noite”. É a flor do cheiro característico da praça da Liberdade e, para mim, tem muita memória ali. Para este trabalho, tentei ser o mais natural e instintivo possível, sem muito planejamento.

Além das simbologias óbvias do tema, incorporei algumas geometrias que, de certa forma, representam Belo Horizonte na minha cabeça. Tem até um peixe do Portinari, não é?

A pintura de Lucas Carvalho já está colorindo a nossa vitrine. É ela quem dá o tom do mês dos namorados. Venha conhecer!